Investigado por suposto rombo de R$ 35 milhões, médico fica em silêncio na CPI da Saúde

Luiz Gustavo Castilho Ivoglo se recusou a responder 60 perguntas durante depoimento

Por: tangara mil graus 3K
 Investigado por suposto rombo de R$ 35 milhões, médico fica em silêncio na CPI da Saúde

 médico e empresário Luiz Gustavo Castilho Ivoglo permaneceu em silêncio durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), nesta quarta-feira (19.08). Convocado para prestar esclarecimentos sobre contratos investigados na Operação Espelho, ele se recusou a responder aos 60 questionamentos apresentados pelo presidente da comissão, deputado Wilson Santos (PSD).

Antes de comparecer à CPI, Ivoglo havia recorrido à Justiça para tentar evitar o depoimento. Ele ingressou com habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mas não conseguiu uma decisão que o dispensasse da convocação.

Segundo Wilson Santos, decisões judiciais anteriores haviam concedido habeas corpus a investigados que alegavam não ter tido acesso integral aos documentos da CPI. Após a comissão disponibilizar os autos aos advogados, entretanto, os pedidos posteriores não prosperaram.

“A CPI atendeu e entregou todos os documentos solicitados aos advogados dos convocados”, afirmou Wilson Santos durante a sessão.

Ivoglo é proprietário da LB Serviços Médicos Ltda., atualmente denominada LGI Médicos, empresa investigada na Operação Espelho, que apurou suspeitas de irregularidades em contratos de serviços médicos firmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT).

 

As contratações ocorreram, em parte, por meio de dispensas de licitação justificadas pelo caráter emergencial dos serviços durante o período da pandemia de Covid-19.

A investigação apontou um possível prejuízo de até R$ 35 milhões aos cofres públicos. O Ministério Público de Mato Grosso denunciou Ivoglo e outros 21 investigados por suspeitas de peculato, organização criminosa e fraude em licitação.

A ação penal também resultou em pedido de reparação de danos ao erário de R$ 57,5 milhões, além de medidas de sequestro de aproximadamente R$ 35 milhões em bens dos investigados.

Apesar das investigações, a LGI Médicos permanece responsável pela prestação de serviços especializados de anestesiologia, cirurgia geral, ortopedia e ginecologia no Hospital Municipal Arlete Daisy Cichetti de Brito, em Tangará da Serra.

Em fevereiro de 2026, a Prefeitura de Tangará da Serra firmou o termo aditivo nº 00034/ADM/2026, prorrogando por mais 12 meses o contrato com a empresa, antiga L.B. Serviços Médicos.

Com a prorrogação e os reajustes previstos, o valor total repactuado chegou a R$ 16,44 milhões, com vigência até março de 2027.

Além de Ivoglo, a Operação Espelho também alcançou os médicos Osmar Gabriel Chemin e Alberto Pires de Almeida, além das empresas Bone Medicina Especializada, Curat Serviços Médicos Especializados e Medtrauma Serviços Médicos Especializados.

A investigação, inicialmente conduzida pela Justiça Estadual, posteriormente passou à Justiça Federal após a identificação de recursos de origem federal envolvidos nos contratos.

As acusações são objeto de processo judicial e não representam, por si só, condenação definitiva dos investigados.