Luxo e promessas: método dos influencers do “tigrinho” em VG
Ostentação nas redes, prints de ganhos e links direcionavam seguidores para plataformas ilegais
Os casais de influenciadores Lili Vasconcelos e Erisson Coutinho, e Jessica Orben Vasconcelos Magalhães e Wilton Vagner Vasconcelos Magalhães, alvos da Operação Aposta Perdida, deflagrada na manhã desta quinta-feira (23.04), utilizavam as redes sociais como porta de entrada para um esquema que, segundo a Polícia Civil, lucrava com a adesão de seguidores a plataformas ilegais de apostas, conhecidas como “tigrinho”.
A apuração indica que o modelo não se sustentava no jogo em si, mas na capacidade de atrair novos usuários. O funcionamento era direto: quanto mais pessoas entravam nas plataformas por meio dos links divulgados, maior seria o retorno financeiro para quem promovia.
O primeiro movimento era a construção de influência. Os perfis exibiam rotina de alto padrão, com viagens internacionais, carros de luxo e consumo elevado — criando a associação entre aquele estilo de vida e os supostos ganhos com apostas.
Na sequência, vinham os conteúdos de convencimento. Prints de lucros, vídeos de ganhos rápidos e relatos positivos eram publicados de forma recorrente. De acordo com a investigação, parte desses resultados podia ser simulada, com uso de contas demonstrativas para induzir o seguidor a acreditar na facilidade do ganho.
O passo seguinte era o direcionamento. Os influenciadores compartilhavam links e orientações de cadastro, levando o público para dentro das plataformas ilegais. É nesse ponto que, segundo a polícia, o esquema se monetizava — com base na movimentação gerada pelos novos apostadores.
A lógica exigia volume. O fluxo constante de novos usuários era essencial para manter o dinheiro circulando. Por isso, o conteúdo apelava para promessas de retorno rápido, muitas vezes explorando a ideia de renda fácil ou solução financeira imediata.
Paralelamente, a investigação aponta que os valores obtidos eram ocultados por meio de empresas, contas de terceiros e aquisição de bens de alto valor, estratégia típica de lavagem de dinheiro. O padrão de vida elevado, incompatível com a renda formal, foi um dos principais indícios.
A Operação Aposta Perdida cumpriu 34 ordens judiciais, incluindo bloqueio de até R$ 10 milhões, sequestro de bens e suspensão de atividades. As investigações seguem em andamento.
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