Fávaro diz que recursos de Lula chegam ao agro, mas dívida trava produtores
Fávaro contesta críticas e diz que crédito existe para o agro
O ex-ministro da Agricultura e Pecuária e senador Carlos Fávaro (PSD) rebateu as críticas de que os incentivos e recursos destinados ao agronegócio pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não estariam chegando aos produtores rurais. Segundo ele, o principal problema está na dificuldade de acesso ao crédito enfrentada por agricultores endividados.
A declaração foi feita durante entrevista ao programa No Ar, apresentado pelo jornalista Geraldo Araújo, na quinta-feira (27.08).
Fávaro afirmou que o apoio ao agronegócio não se limita ao Plano Safra. Entre as medidas citadas estão a abertura de 555 novos mercados internacionais, o aumento da mistura de etanol na gasolina e a elevação do percentual de biodiesel, que, segundo ele, ampliaram a demanda e as oportunidades para o setor.
O senador também comparou os recursos destinados ao Plano Safra nos governos anteriores e na atual gestão. Segundo ele, os quatro planos do governo passado somaram cerca de R$ 700 bilhões, enquanto os quatro lançados durante o governo Lula representam aproximadamente R$ 2 trilhões.
Apesar do aumento dos recursos, Fávaro reconheceu que parte dos produtores continua com dificuldade para obter financiamento. Agricultores endividados, sem garantias ou em recuperação judicial enfrentam maior resistência das instituições financeiras para conseguir novos empréstimos.
Na avaliação do senador, os bancos tendem a priorizar produtores considerados de menor risco, que possuem patrimônio, recursos próprios ou garantias suficientes. Com isso, justamente os agricultores que mais precisam de crédito podem ficar sem acesso aos financiamentos disponíveis no Plano Safra.
Para enfrentar o problema, Fávaro citou medidas adotadas pelo governo federal para renegociar dívidas rurais. Segundo ele, R$ 12,8 bilhões foram disponibilizados no ano passado para a renegociação dos débitos. Ele também mencionou uma medida provisória que prevê mais de R$ 100 bilhões para a repactuação das dívidas.
A proposta estabelece dois anos de carência e outros oito anos para o pagamento dos débitos, com o objetivo de recuperar a capacidade financeira dos produtores e permitir que eles voltem a ter acesso às linhas de crédito.
Fávaro defendeu ainda que os recursos anunciados pelo Plano Safra precisam efetivamente chegar ao campo e afirmou que as instituições financeiras têm obrigação legal de direcionar parte dos recursos ao financiamento da atividade agropecuária.
“O nosso governo aumentou a demanda de etanol, aumentando a oportunidade no campo”, afirmou o senador.
Ao defender a política agrícola do governo Lula, Fávaro resumiu sua posição: “O governo ao lado do produtor”.
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