Wellington chama Pivetta de “ficha suja” e cita decisão do TCU

Candidato afirmou que o adversário disputará a eleição com o registro sob análise

Por: tangara mil graus 2.5K
 Wellington chama Pivetta de “ficha suja” e cita decisão do TCU

O candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), chamou o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) de “ficha suja” e afirmou que o adversário disputará a eleição com o registro sob análise da Justiça. A declaração foi dada ao  , nessa segunda-feira (24.08), ao citar contas julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU) relacionadas à compra de uma ambulância.

A acusação surgiu após Wellington ser questionado pelo jornalista Geraldo Araújo sobre seu próprio envolvimento na Operação Sanguessuga. O candidato afirmou ter sido inocentado e, em seguida, direcionou as críticas a Pivetta.

“No caso específico, fui julgado e inocentado. Nunca fiz uma emenda. Isso está provado. Quem decidiu foi a Justiça Federal”, afirmou.

Na sequência, Wellington citou uma decisão do TCU envolvendo um convênio firmado quando Pivetta era prefeito de Lucas do Rio Verde. “Ao contrário, o atual governador é ficha suja. Ele está com contas reprovadas”, declarou.

Wellington também afirmou que a candidatura de Pivetta permanece questionada no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

“Ele pode até concorrer, mas concorrerá sub judice. Com certeza, ele é ficha suja hoje, porque comprou ambulâncias e o Tribunal de Contas da União desaprovou as contas dele”, afirmou.

A coligação Coração da Gente, encabeçada por Wellington, apresentou, em 18 de agosto, uma ação para impugnar o registro da candidatura de Pivetta. O pedido está relacionado ao Convênio nº 3.578/2001, firmado entre a Prefeitura de Lucas do Rio Verde e o Ministério da Saúde para a compra de uma unidade móvel de saúde.

Segundo a ação apresentada pela coligação, conforme divulgado pela imprensa, o processo apontou direcionamento da licitação, falta de pesquisa prévia de preços e superfaturamento. A decisão administrativa tornou-se definitiva em março de 2015.

Os efeitos dos acórdãos do TCU foram suspensos pela Justiça Federal em 2018, o que permitiu a Pivetta disputar as eleições daquele ano e de 2022. Em agosto de 2024, no entanto, a 12ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) reformou a decisão de primeira instância e restabeleceu os efeitos das decisões do Tribunal de Contas.

A coligação de Wellington sustenta que o prazo de inelegibilidade deixou de correr durante o período em que os acórdãos ficaram suspensos. Com esse cálculo, a restrição alcançaria a eleição de 2026 e terminaria somente em setembro de 2029.

Pivetta, entretanto, ainda não foi declarado inelegível no processo atual. O relator negou apenas o pedido liminar para impedir o governador de utilizar recursos dos fundos Eleitoral e Partidário. O mérito da ação que pede a impugnação do registro ainda será julgado pelo TRE-MT.

O governador também classificou o pedido de impugnação como uma tentativa de vencer a eleição no “tapetão” e declarou confiar na Justiça Eleitoral.

Em relação a Wellington, o STF recebeu, em 2018, uma denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionada à Operação Sanguessuga. O processo foi enviado, em 2019, à 7ª Vara Federal de Mato Grosso após a mudança no entendimento sobre o foro privilegiado. Na entrevista, Wellington sustentou ter sido inocentado.

Outro lado

A reportagem do   entrou em contato com a assessoria do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e solicitou posicionamento sobre as declarações de Wellington Fagundes (PL) e a ação que pede a impugnação de sua candidatura. Até o fechamento da matéria, não houve retorno. Espaço permanece aberto para manifestação.