Ex-secretária-adjunta diz ser “massacrada” há anos por caso na Saúde

Carolina Campos afirma que respondeu às 70 perguntas feitas pelos deputados

Por: tangara mil graus 2.5K
 Ex-secretária-adjunta diz ser “massacrada” há anos por caso na Saúde

A ex-secretária-adjunta de Unidades Especializadas da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), Carolina Campos Dobes Conturbia Neves, afirmou nesta quarta-feira (26.08) que sua imagem vem sendo “massacrada” ao longo dos últimos anos por fatos relacionados à gestão da Saúde de Mato Grosso. Após prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), ela disse ter respondido integralmente às 70 perguntas feitas pelos parlamentares e afirmou que documentos e provas relacionados à sua atuação já foram apresentados à Justiça.

O depoimento foi realizado a portas fechadas por decisão da CPI. A imprensa foi impedida de acompanhar a oitiva e a transmissão pelos canais oficiais da Assembleia Legislativa foi suspensa. Segundo Carolina, a solicitação para que a sessão fosse reservada teve como objetivo evitar que o conteúdo dos depoimentos fosse utilizado no atual cenário político.  “[Pedi] para que os depoimentos que foram prestados não fossem usados nesse momento político, já que a minha posição técnica nesse processo todo sempre foi técnica. Então, assim, eu pedi para que fosse respeitada essa minha condição”, explicou.

Questionada se alguma revelação havia sido feita durante a oitiva que ela não gostaria que fosse divulgada, Carolina negou. Segundo ela, todas as perguntas foram respondidas. “Não, foram feitas 70 perguntas e as 70 perguntas foram respondidas. Todas elas foram respondidas”, afirmou.

A ex-secretária-adjunta também disse que não deixou de responder nenhum questionamento e que as questões relacionadas à sua atuação já haviam sido apresentadas anteriormente a autoridades como o Ministério Público, a Polícia Judiciária e o Poder Judiciário. “Tudo que precisava ser respondido ou provado da minha parte, foi apresentado judicialmente há muitos anos”, declarou.

Carolina afirmou ainda que já apresentou provas à Justiça em outras ocasiões e que possui três decisões judiciais que, segundo ela, a excluíram das demandas relacionadas ao caso. Ela ressaltou que não chegou a se tornar ré nos processos mencionados. “Mesmo tendo uma decisão que já me excluiu dessa investigação, eu sequer me tornei ré”, disse.

Segundo Carolina, as provas foram apresentadas na 7ª Vara Criminal, onde, conforme relatou, o juiz Jean Garcia teria determinado sua exclusão do rol de réus. Ela também afirmou que, na Justiça Federal, não houve recebimento de denúncia contra ela. “Nunca cheguei a responder por isso. As provas, elas foram julgadas e considerou que eu não fazia parte disso. E mesmo perante a Justiça Federal, também o juiz não quis receber denúncia alguma contra mim”, afirmou.

Durante a entrevista, Carolina também rebateu a forma como sua atuação na Secretaria de Estado de Saúde teria sido retratada publicamente. Ela afirmou que não deve ser tratada de maneira pejorativa como “a mulher da SES” e destacou projetos que, segundo ela, foram desenvolvidos durante sua passagem pela pasta.

A ex-secretária-adjunta citou, como exemplo, o centro de triagem criado durante a pandemia de Covid-19, afirmando que o projeto foi de sua autoria e tinha como objetivo atender a população durante o período de crise sanitária. “Não sou a mulher da SES de forma pejorativa. Se eu sou uma mulher da SES, eu sou uma mulher que trabalha e que tirou grandes projetos assistenciais para salvar a população de Mato Grosso num momento crítico da pandemia”, declarou.

Ela afirmou que sua atuação na Secretaria esteve voltada ao atendimento da população e que retornou à CPI justamente para apresentar novamente sua versão e os documentos que considera necessários para esclarecer sua participação. “Foi isso que eu fazia dentro da secretaria. E foi isso que eu vim provar mais uma vez aqui para os deputados que estão fazendo a função deles”, disse.

Questionada sobre a investigação conduzida pela Assembleia Legislativa e sobre possíveis irregularidades em contratos da Saúde, Carolina afirmou que os deputados devem continuar realizando o trabalho para o qual foram eleitos. “Eles precisam continuar fazendo o trabalho pelo qual eles foram eleitos e que a sociedade espera deles”, declarou.

Em outro momento, ao avaliar a atuação da CPI, afirmou que os parlamentares estão cumprindo suas atribuições. “Eles estão cumprindo com o papel pelo qual eles foram eleitos e eles continuam trabalhando dentro daquilo, da competência deles, daquilo que se espera deles”, afirmou.

Durante a entrevista, Carolina também foi questionada sobre contratos realizados durante o período investigado pela CPI, incluindo pagamentos e contratações sem licitação, além da possibilidade de empresas terem se beneficiado financeiramente dessas operações.

Ela, porém, afirmou estar emocionalmente desgastada com a exposição pública e disse que aguardava orientação de seu advogado, Ricardo, para apresentar sua manifestação de forma documental. “Eu estou de verdade esgotada. Faz muitos anos que eu estou sendo submetida a um processo de julgamento popular e sendo massacrada na minha imagem, na minha vida, sem nada eu ter a ver com isso”, afirmou.

Segundo Carolina, sua estratégia sempre foi apresentar documentos e evitar acusações sem provas. “Eu estava aguardando, orientada pelo meu advogado, o doutor Ricardo, um momento oportuno, correto, adequado para que eu pudesse me manifestar documentalmente, como assim sempre foi a minha posição profissional. Apresentar as coisas como tem que ser, sem ser leviana, sem acusar ninguém”, explicou.

‘Estou no meu limite’

Ao final da entrevista, Carolina voltou a afirmar que o depoimento foi respondido integralmente e disse que o conteúdo poderá ser consultado pelos jornalistas. “Então, assim, foram 70 perguntas respondidas. Eu já tenho estado, desde a minha convocação, algumas noites em claro”, relatou.

Ela afirmou ainda que eventuais esclarecimentos adicionais poderão ser solicitados por meio de seu advogado. “Eu acho que vocês vão ter acesso a tudo que foi respondido. E se vocês tiverem necessidade, além disso, de algum esclarecimento, vocês podem procurar o doutor Ricardo que a gente vai, de alguma forma, atender aí o que vocês demandarem”, disse.

Antes de deixar o local, Carolina pediu respeito e afirmou estar no limite diante da situação. “Mas eu estou, assim, esgotada. Eu estou no meu limite. Eu peço que vocês me respeitem e que na próxima oportunidade a gente responde mais”, concluiu.