Pedido para suspender CPI da Saúde até fim das eleições vai para análise jurídica
Wilson Santos encaminhou requerimento à Procuradoria da CPI antes de submetê-lo à votação
Três deputados estaduais apresentaram um requerimento para suspender os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde até o fim das eleições de 2026. O pedido ainda não foi colocado em votação e poderá interromper temporariamente as oitivas e demais trabalhos da Comissão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A informação foi revelada nesta quarta-feira (26.08) pelo presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSD), após a oitiva da ex-secretária-adjunta de Unidades Especializadas da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), Carolina Campos Dobes Conturbia Neves.
Segundo Wilson, em vez de colocar imediatamente o requerimento em votação, ele encaminhou o documento à Procuradoria da CPI para emissão de um parecer.
“Três deputados apresentaram um requerimento para suspender os trabalhos da CPI até o final das eleições. Eu não decidi de plano, não submeti à votação dos colegas. Eu encaminhei à Procuradoria da CPI [...] para que faça um parecer por escrito, fundamente isso, para que nós possamos tomar uma decisão com segurança jurídica”, declarou.
Wilson não revelou, durante a entrevista, os nomes dos três deputados que apresentaram o pedido.
Wilson quer CPI funcionando
Questionado sobre sua posição, Wilson reconheceu que os parlamentares estão envolvidos diretamente nas campanhas eleitorais, mas deixou claro que, de sua parte, pretende manter a CPI funcionando.
“É verdade que os deputados estão envolvidos no processo de reeleição. Então, o Congresso tomou a decisão no sentido de praticamente paralisar as votações. Eu, da minha parte, eu toco. Tenho segurança em tirar toda quarta-feira exclusivamente para as sessões e para a CPI. Da minha parte, eu toco”, afirmou.
Apesar da posição do presidente, a continuidade dos trabalhos dependerá da decisão dos integrantes da Comissão. O requerimento deverá ser submetido à votação após a manifestação da Procuradoria da CPI.
Oitiva reservada
Nesta quarta-feira, a CPI ouviu Carolina Campos Dobes Conturbia Neves, que prestou depoimento na condição de investigada. A ex-secretária-adjunta pediu que sua oitiva fosse realizada de forma reservada.
Depois do depoimento, Wilson criticou a decisão e afirmou que Carolina não apresentou informações que, na avaliação dele, justificassem a restrição.
“Eu penso que ela errou. Ela errou porque não trouxe fato novo nenhum. Ela podia tranquilamente ter respondido a todas as 70 questões aberta”, declarou.
Segundo o presidente da CPI, Carolina afirmou durante o depoimento que não era responsável por licitações, compras ou pagamentos na Secretaria de Saúde e que sua atuação estava concentrada na gestão dos hospitais regionais.
Wilson disse ainda que não ficou satisfeito com as respostas e que o conteúdo da oitiva será analisado pela equipe técnica da Comissão.
“Tudo foi gravado. Nós temos uma equipe de assessores, nós vamos analisar cada resposta, cada linha que foi falada”, concluiu.
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