Fávaro diz que Flávio Bolsonaro desrespeita produtores ao atacar mistura de etanol
Flávio Bolsonaro comparou mistura do biocombustível na gasolina à “reduflação”
O senador por Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD) reagiu às críticas do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) sobre o aumento da mistura de etanol na gasolina e classificou as declarações como demonstração de “total despreparo” e “absoluto desrespeito” aos produtores rurais.
A reação ocorre após Flávio questionar a quantidade de etanol adicionada à gasolina e comparar a medida à chamada “reduflação”, termo utilizado quando produtos têm a quantidade reduzida sem diminuição proporcional do preço.
“A gasolina virou etanol. Nem o combustível esse governo tá poupando”, declarou Flávio durante transmissão nas redes sociais.
Atualmente, a gasolina comum comercializada no país possui temporariamente 32% de etanol anidro. O percentual passou de 30% para 32% em 1º de agosto e terá validade inicial de 180 dias.
Fávaro saiu em defesa do setor e destacou o peso de Mato Grosso na produção de etanol de milho. Para o senador, atacar a política de biocombustíveis significa atingir produtores, trabalhadores e uma cadeia que ganhou espaço na economia do Estado.
O parlamentar também defendeu que o aumento da produção nacional de biocombustíveis contribui para reduzir a dependência brasileira de petróleo importado, gerar empregos e diminuir emissões de gases de efeito estufa.
A declaração de Flávio Bolsonaro também provocou reação de seis entidades nacionais ligadas à produção de etanol: União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Bioenergia Brasil, Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).
Em nota conjunta, as entidades afirmaram que a declaração do candidato do PL desinforma os consumidores e desqualifica uma política de Estado desenvolvida ao longo de cinco décadas.
O setor também apontou uma contradição na posição do presidenciável: a Lei do Combustível do Futuro, que estabeleceu as bases legais para ampliação do uso de biocombustíveis, passou pelo Senado com a anuência de Flávio Bolsonaro.
As entidades citaram ainda testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia com 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota fabricada entre 1994 e 2024. Os ensaios avaliaram misturas de 27%, 30% e 32% de etanol e, segundo o setor, apontaram viabilidade da E32 sem prejuízo ao desempenho dos veículos.
A adoção temporária da mistura de 32% foi determinada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
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