
PT pede CPI para investigar PCC e infiltração no setor financeiro
Megaoperação da PF motiva pedido de CPI contra PCC na Câmara

A bancada do PT na Câmara dos Deputados protocolou nessa quinta-feira (28.08) um requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a infiltração do crime organizado no setor financeiro e produtivo do Brasil. O pedido é liderado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e conta com apoio de outros parlamentares.
De acordo com o requerimento, a CPI terá 11 membros titulares, igual número de suplentes e prazo inicial de 120 dias, prorrogável por mais 60. O foco será apurar as conexões de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), com o sistema financeiro, combustíveis, transporte, agroindústrias e o setor sucroalcooleiro.
A justificativa do pedido cita a megaoperação deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que revelou a movimentação de cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024 por meio de esquemas de lavagem de dinheiro. O grupo teria utilizado bancos digitais, fintechs, fundos de investimento e até a bolsa de valores para dar aparência legal a recursos ilícitos.
Segundo os parlamentares, a infiltração criminosa já atinge postos de combustíveis, empresas de transporte e cadeias agroindustriais, distorcendo mercados, manipulando preços e corrompendo estruturas estatais. “O crime organizado não atua mais à margem da economia, mas de forma estruturada e estratégica dentro dela”, afirma a justificativa.
A CPI pretende mapear a extensão do esquema, identificar falhas regulatórias e propor mudanças legislativas para fortalecer mecanismos de controle e transparência. Além disso, deverá apurar responsabilidades de agentes públicos e privados que possam ter colaborado, por ação ou omissão, para o funcionamento das fraudes.
Lindbergh Farias defendeu a urgência da instalação da comissão: “Estamos diante de um ataque direto à soberania econômica e à livre concorrência. A Câmara precisa agir para proteger a economia e o Estado Democrático de Direito”.
Se aprovada, a CPI trabalhará em cooperação com a Polícia Federal e o Ministério Público, mas manterá prerrogativas próprias de fiscalização previstas na Constituição.