Faltando 10 meses para eleições, pré-candidatos ao governo de MT não empolgam eleitorado

A pesquisa MT Dados fotografa um momento político de transição e indefinição

Por: tangara mil graus 22.5K
 Faltando 10 meses para eleições, pré-candidatos ao governo de MT não empolgam eleitorado

A pesquisa híbrida realizada pelo MT Dados entre 7 e 14 de novembro revela um cenário político profundamente fragmentado em Mato Grosso para as eleições de 2026. Com índices de indecisos oscilando entre 31,6% e 43% nos diferentes cenários, o eleitorado mato-grossense demonstra ainda não ter definido suas preferências, transformando a corrida sucessória numa disputa completamente em aberto.

 
Wellington Fagundes: liderança frágil e desafios pela frente

Wellington Fagundes (PL) aparece numericamente à frente na maioria dos cenários testados, variando entre 20,1% e 27,6% das intenções de voto. No entanto, essa liderança está longe de representar uma vantagem confortável. O senador enfrenta um paradoxo político: embora seja o mais conhecido e tenha maior estrutura, não consegue converter isso em uma dianteira expressiva.

Nas simulações de segundo turno, Wellington oscila entre 27% e 32%, números que, embora o mantenham à frente, não garantem vitória quando se considera a enorme massa de indecisos. Seu desafio será consolidar essa liderança e conquistar os eleitores que ainda não se posicionaram.

Otaviano Pivetta: o competidor consistente

O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) emerge como o candidato mais consistente da disputa. Presente em todos os cenários testados, se mantém entre 18,4% e 22,6% no primeiro turno, sempre muito próximo de Wellington Fagundes. Mais importante: nos cenários de segundo turno, Pivetta demonstra competitividade em todas as situações, inclusive com empate técnico contra Janaína Riva (24% x 27%).

Os resultados de Otaviano mostram eleitorado fiel e rejeição dentro de patamares administráveis. Ele figura como o adversário mais competitivo de Wellington nos embates diretos, ficando 4 pontos atrás (23% x 27%). Essa capacidade de competição sugere estrutura política construída durante sua trajetória no cenário mato-grossense.

O desafio de Otaviano será crescer além de seu núcleo duro de apoiadores. Seus números não variam dramaticamente entre os cenários, o que pode indicar tanto uma base fiel quanto dificuldade de expandir seu alcance eleitoral.

Janaína Riva: a força política subestimada

A deputada estadual Janaína Riva (MDB) apresenta o resultado mais surpreendente da pesquisa. Testada em apenas um cenário para governadora, imediatamente empata tecnicamente com Otaviano Pivetta (22,9% x 22,6%) e registra o menor índice de indecisos (31,6%), sugerindo que sua entrada na disputa provoca definições mais claras no eleitorado.

No segundo turno contra Otaviano, Janaína mantém o empate técnico (27% x 24%), demonstrando potencial competitivo imediato, mesmo sem campanha formal. Isso é particularmente notável porque ela aparece com força tanto para governadora quanto para o Senado, onde alcança 31% no total de votos, ficando atrás apenas de Mauro Mendes.

O desempenho indica que Janaína construiu capital político próprio, independentemente de vínculos com o governador. Sua capacidade de atrair votos em duas disputas diferentes indica penetração expressiva no eleitorado. A questão estratégica que se coloca é: qual cadeira ela deve disputar?

 

Jayme Campos: a terceira via limitada

Ex-governador e veterano da política mato-grossense, Jayme Campos (União Brasil) aparece com números modestos, oscilando entre 11,5% e 12,5% no primeiro turno. Seu melhor resultado ocorre no segundo turno contra Otaviano (20%), mas ainda assim fica distante da vitória.

Os números de Jayme sugerem que ele mantém uma base eleitoral fiel, construída ao longo de décadas de vida pública, mas não consegue expandir significativamente seu apoio. Sua presença na disputa pode ser mais relevante como eventual apoiador no segundo turno do que como competidor viável para vencer a eleição.

Max Russi e Natasha Slhessarenko: coadjuvantes na disputa

Max Russi, quando testado, alcança apenas 7,9% no primeiro turno e 12% no segundo turno contra Wellington. Natasha Slhessarenko tem performance ainda mais modesta, variando entre 4,8% e 7,3%. Ambos funcionam mais como peças de um jogo de alianças do que como candidatos com chances reais de vitória neste pleito. Os percentuais baixos demonstram limitação eleitoral de Max e Natasha para uma candidatura competitiva ao governo.

Senado: o domínio de Mauro Mendes

A disputa pelo Senado mostra um cenário completamente diferente. O governador Mauro Mendes (União Brasil) aparece liderando com 51% da soma dos dois votos — percentual que praticamente assegura uma das duas vagas em disputa. No primeiro voto, Mauro registra 38,4%, enquanto no segundo voto soma 12,6%.

Janaína Riva aparece em segundo lugar, com 31% no total dos votos (soma do primeiro e do segundo voto), se consolidando como forte candidata à segunda vaga. No primeiro voto, ela tem 15,9%, e no segundo voto, 15,1%.

Apesar disso, a disputa por essa posição segue aberta: Jayme Campos (14%), Carlos Fávaro (12,1%) e José Medeiros (12,1%) aparecem tecnicamente empatados. No caso destes três candidatos, esses percentuais representam a soma do primeiro e do segundo voto.

O xadrez das alianças

A pesquisa revela que o cenário de 2026 será definido não apenas por candidaturas individuais, mas principalmente pelas alianças construídas. Os altos índices de indecisos e a fragmentação das preferências indicam que o segundo turno será determinante, e quem conseguir agregar mais apoios entre o primeiro e o segundo turnos terá vantagem decisiva.

A possível candidatura de Janaína Riva ao Senado, por exemplo, pode alterar completamente o equilíbrio da disputa para governador, liberando espaço para outros candidatos ou fortalecendo algum dos já posicionados. Da mesma forma, o apoio de Mauro Mendes, que terá capital político significativo caso se confirme sua ida ao Senado, será cobiçado por todos os candidatos.

Eleitorado pragmático ou desencantado?

Os elevados índices de indecisos merecem análise cuidadosa. Podem indicar tanto um eleitorado estratégico, que aguarda a consolidação das candidaturas para definir seu voto, quanto um eleitorado desencantado, sem identificação forte com nenhuma das opções disponíveis.

A diferença nos níveis de indefinição entre os cenários (31,6% quando Janaína disputa versus 43% quando enfrenta Max Russi) sugere que parte significativa do eleitorado reage de forma diferente dependendo das opções apresentadas. Isso reforça a tese de que as coligações e os palanques serão decisivos.

Perspectivas e tendências

A pesquisa MT Dados fotografa um momento político de transição e indefinição. Nenhum candidato conseguiu ainda construir uma narrativa suficientemente forte para consolidar uma liderança expressiva. O cenário aponta para:

Uma campanha longa e disputada: Com diferenças pequenas entre os principais candidatos e alto índice de indecisos, a campanha de 2026 será travada voto a voto, sem espaço para favoritismo antecipado.

mportância da máquina administrativa: O desempenho de Mauro Mendes no Senado e a força de Janaína Riva sugerem que a atual gestão estadual mantém relevância política. Quem conseguir se apresentar como continuidade dos acertos e distância dos erros pode se beneficiar.

Segundo turno imprevisível: Todos os cenários de segundo turno mostram disputas acirradas com enormes contingentes de indecisos. A capacidade de mobilização, a construção de alianças e os debates eleitorais serão determinantes.

Peso das bases regionais: Em um Estado continental como Mato Grosso, com realidades distintas entre o norte e o sul, entre o agronegócio e as áreas urbanas, a construção de alianças regionais será fundamental para qualquer candidato que aspire à vitória.

A pesquisa revela uma disputa eleitoral verdadeiramente aberta, onde múltiplos cenários são possíveis. Wellington Fagundes tem vantagem numérica, mas não domínio. Otaviano Pivetta demonstra consistência e competitividade. Janaína Riva surge como possível game changer, capaz de alterar todo o tabuleiro político dependendo de sua decisão.

Os próximos meses serão cruciais para a definição não apenas de candidaturas, mas de coligações, narrativas e estratégias. Em Mato Grosso, a eleição de 2026 já começou, e o único consenso possível é que ainda não há consenso sobre quem será o próximo governador.

Os números desta pesquisa não apontam um vencedor, mas indicam um campo de batalha político onde experiência, capacidade de articulação, recursos de campanha e, sobretudo, a habilidade de se conectar com os anseios do eleitorado mato-grossense farão a diferença entre vitória e derrota.

Vale destacar que a pesquisa realizada pelo MT Dados entre 7 e 14 de novembro ocorreu antes de todos os acontecimentos envolvendo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Não é possível afirmar o quanto este acontecimento interfere nos resultados. Outro fator é que a pesquisa reflete o momento e tudo pode mudar. O governador Mauro Mendes ainda é uma incógnita se vai se desincompatibilizar ou não do governo. Esta amostra é apenas uma leitura da atual conjuntura política. Mas o que é certo é a indefinição no campo político.