Lula diz que voltará a indicar Jorge Messias ao STF após derrota no Senado
Presidente afirmou que rejeição ao ministro da AGU teve motivação política e defendeu prerrogativa presidencial de indicação à Suprema Corte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29.05), durante evento da Petrobras em Sergipe, que pretende indicar novamente o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma futura vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorreu após a derrota do nome de Messias no Senado Federal, considerada histórica pelo Palácio do Planalto.
Ao comentar o episódio, Lula disse que ficou “triste” com a rejeição do aliado e afirmou que a derrota não ocorreu por falta de capacidade técnica. “Eu perdi a indicação do meu ministro na Suprema Corte e fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica. É um dos melhores advogados desse país”, declarou.
O presidente afirmou ainda que pretende insistir na indicação em defesa da prerrogativa constitucional do chefe do Executivo de escolher ministros para o STF. “Eu vou mandar o Messias outra vez”, afirmou Lula diante de parlamentares da bancada sergipana.
Durante o discurso, o presidente criticou a postura do Senado e disse que uma rejeição só seria justificável em casos de falta de qualificação técnica ou problemas na conduta do indicado. “O Senado pode derrotar alguém se ele não tiver competência jurídica. O que não pode é derrotar por derrotar”, disse.
Jorge Messias havia sido anunciado por Lula em novembro de 2025 para ocupar a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. A indicação, no entanto, enfrentou resistência dentro do Senado, especialmente de parlamentares alinhados ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Nos bastidores, parte dos senadores defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga no STF. Diante da movimentação política para acelerar a sabatina de Messias, Lula segurou oficialmente o envio da indicação por alguns meses. A mensagem presidencial só foi encaminhada ao Senado em abril deste ano. Após ser aprovado por margem apertada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Jorge Messias acabou derrotado no plenário por 42 votos contrários e 32 favoráveis.
A rejeição marcou a primeira derrota de um indicado ao Supremo Tribunal Federal em mais de um século, fato interpretado dentro do Governo Federal como resultado de articulações políticas no Congresso Nacional.
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