Fim da escala 6x1: veja o que pensam os senadores de MT
Wellington Fagundes criticou proposta aprovada pela Câmara, Carlos Fávaro comemorou mudança e Jayme Campos assinou PEC alternativa
Os senadores de Mato Grosso adotaram posições diferentes sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, proposta aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (27.05). Enquanto o senador Wellington Fagundes (PL) demonstrou preocupação com os impactos econômicos da medida, o senador Carlos Fávaro (PSD) comemorou a aprovação da proposta. Já o senador Jayme Campos (UNIÃO) assinou uma PEC alternativa que prevê jornada flexível baseada em horas trabalhadas.
A proposta aprovada pelos deputados federais prevê o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter apenas um dia de descanso. O texto agora segue para análise do Senado Federal. Mesmo com os oito deputados federais de Mato Grosso votando favoravelmente à proposta, incluindo parlamentares do PL, mesmo partido de Wellington, o senador se posicionou contra a mudança nos moldes atuais.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Wellington afirmou que o debate precisa ser feito com responsabilidade para evitar impactos negativos na economia e no mercado de trabalho. “Eu sei o que é trabalhar duro, eu sei o que é acordar cedo, depender do emprego e sustentar a família. Por isso, quando falam em reduzir jornada de trabalho, eu levo o tema a sério”, declarou.
O senador afirmou ainda que a redução da jornada sem medidas para compensar custos pode afetar empresas, empregos e provocar inflação. “Se reduzir jornada sem aumentar a produtividade, sem reduzir impostos, sem restabelecer quem gera emprego, a conta não fecha. E quando a conta não fecha, o emprego sofre”, disse.
Wellington também criticou propostas que, segundo ele, acabam se tornando apenas “discurso bonito”.
A manifestação ocorre no momento em que a oposição, liderada pelo PL, apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) alternativa. O texto prevê que as regras sobre jornada e escala de trabalho possam ser definidas por acordo individual entre empregado e empregador, convenção coletiva ou livre pactuação contratual.
A proposta também permite que contratos individuais prevaleçam sobre negociações coletivas em algumas situações. Os dois textos agora tramitam na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Em posição oposta, Carlos Fávaro celebrou a aprovação da proposta e afirmou que o fim da escala 6x1 representa um avanço nas relações de trabalho. “Essa é uma pauta que trata da dignidade, da saúde e da qualidade de vida. Ninguém trabalha bem quando não tem tempo para descansar e conviver com a família”, afirmou em um vídeo publicado nas redes sociais.
O senador do PSD defendeu que desenvolvimento econômico e qualidade de vida devem caminhar juntos. “O fim da escala 6x1 representa um avanço civilizatório. É o reconhecimento de que o trabalhador brasileiro merece mais equilíbrio, mais respeito e tempo para viver”, completou.
Já Jayme Campos ainda não comentou publicamente a aprovação da proposta votada pela Câmara, mas assinou a chamada “PEC da Jornada Flexível”, apresentada pelo senador Rogério Marinho. O texto mantém a carga horária semanal de 44 horas, mas cria a possibilidade de jornadas flexíveis baseadas em horas trabalhadas.
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