Seis deputados de MT querem empurrar fim da escala 6x1 até 2036

Seis deputados de MT querem empurrar fim da escala 6x1 por mais dez anos

Por: tangara mil graus 500 views
 Seis deputados de MT querem empurrar fim da escala 6x1 até 2036

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam a pesada rotina da escala 6x1, seis deputados federais de Mato Grosso, que atuam com sessões concentradas entre terça e quinta-feira e já consumiram quase R$ 3 milhões em verbas de gabinete em 2026, assinaram a proposta que pretende adiar para 2036 o fim desse modelo de jornada no país.

 
Caso o texto avance no Congresso Nacional, as novas regras relacionadas à redução da jornada de trabalho só passariam a valer daqui a dez anos. A proposta prevê diminuir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de descanso por semana.

Entre os parlamentares mato-grossenses que apoiam o adiamento estão Juarez Costa, Fábio Garcia, Rodrigo da Zaeli, Nelson Barbudo, José Medeiros e Coronel Fernanda.

Diferentemente dos trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), os deputados federais seguem regras próprias estabelecidas pelo Regimento Interno da Câmara. As sessões deliberativas ordinárias, quando ocorrem votações, costumam acontecer entre terça e quinta-feira. Já as segundas e sextas-feiras são destinadas a reuniões de comissões, audiências públicas, agendas políticas e atendimentos nos gabinetes.

Embora a Câmara dos Deputados não adote oficialmente uma escala 3x4, a dinâmica de funcionamento do Congresso contrasta com a realidade de milhões de brasileiros submetidos à jornada 6x1, justamente o modelo que a PEC pretende extinguir.

Além dos salários mensais de R$ 46.366,19, os parlamentares recebem verbas destinadas à manutenção de gabinetes, contratação de assessores, passagens aéreas, aluguel de veículos, combustíveis, divulgação parlamentar e demais despesas ligadas ao mandato.

O deputado Juarez Costa registrou R$ 589,4 mil em gastos de gabinete em 2026. As maiores despesas foram com divulgação da atividade parlamentar e aluguel de veículos. Dos 121 dias de sessões, esteve presente em 93 e teve 28 ausências justificadas.

Rodrigo da Zaeli utilizou R$ 565,3 mil em verbas de gabinete e mais de R$ 20 mil em viagens oficiais. O parlamentar registrou presença em 116 dos 121 dias de sessões.

Nelson Barbudo compareceu a 68 sessões, acumulou 49 ausências justificadas e quatro não justificadas. Entre os principais gastos aparecem combustíveis, hospedagens e divulgação parlamentar.

José Medeiros gastou R$ 585,9 mil em verbas de gabinete. As despesas incluem passagens aéreas, manutenção de escritório e divulgação parlamentar. O deputado participou de 107 sessões e teve 14 ausências justificadas.

A deputada Coronel Fernanda utilizou R$ 593,2 mil em verbas de gabinete. As maiores despesas foram com passagens aéreas, aluguel de veículos e manutenção de escritório. Ela registrou presença em 103 sessões, além de 12 ausências justificadas e seis não justificadas.

Já Fábio Garcia registrou R$ 63,2 mil em despesas de gabinete em 2026, além de R$ 3,5 mil de auxílio-moradia. Segundo os dados da Câmara, participou das duas sessões realizadas no período em que exerceu o mandato neste ano.

O texto que prevê o fim da escala 6x1 ainda segue em análise na Câmara dos Deputados. Um dos principais pontos de divergência é justamente o prazo para implementação das mudanças.

Enquanto parte dos parlamentares defende uma transição mais longa para evitar impactos econômicos, setores ligados aos trabalhadores pressionam para que a redução da jornada seja implantada em prazo menor.