Governador diz que é difícil combater crime com advogados levando drogas a presídios
Governador diz que 25 profissionais foram flagrados tentando entrar com drogas e celulares no sistema prisional de MT
governador Mauro Mendes (União) revelou nesta quinta-feira (27.11), durante coletiva de imprensa, que 25 advogados foram flagrados tentando introduzir drogas e celulares nos presídios de Mato Grosso, além de 16 agentes prisionais presos. A declaração ocorreu durante a apresentação do balanço de um ano do programa Tolerância Zero e expõe as dificuldades enfrentadas pelo Estado no combate ao crime organizado.
"São 16 agentes presos, 25 advogados tentando entrar com drogas, entrar com celular dentro dos presídios. Olha como é difícil fazer a coisa certa, porque você tem um conjunto de atores aí que tenta resistir, que tenta barrar, porque eles acreditam que se pegar não vai dar nada. Esse é o problema", afirmou Mendes, ao destacar os esforços para impedir que facções criminosas se organizem dentro do sistema prisional.
O governador criticou a legislação brasileira, que considera o principal obstáculo para conter a criminalidade no Estado. Segundo ele, mesmo com operações sistemáticas, criminosos presos voltam às ruas no dia seguinte devido às audiências de custódia.
"Muitas vezes fazemos a apreensão de criminosos praticando crimes como extorsão. Eles vão na audiência de custódia e a lei assim o permite. O cara volta para a rua no dia seguinte e continua praticando os crimes. Então é muito difícil combater", desabafou.
Mendes demonstrou frustração com o que chamou de "sensação de impunidade" no país e defendeu leis mais duras. Elogiou a lei aprovada pela senadora Margarete Buzetti que aumenta para 40 anos a pena de feminicídio, com cumprimento obrigatório de 55% em regime fechado.
"É um exemplo de que é preciso endurecer para mudar essa perspectiva da impunidade, da sensação que se criou nesse país de que a lei não vale, de que a justiça é lenta e de que os resultados demoram muito", afirmou.
Segundo o governador, o governo estadual age dentro dos limites legais, mas esbarra na tipificação dos crimes. "Nós atuamos corretamente, porém prendemos no dia e a lei permite que o judiciário solte no mesmo dia. A grande maioria do que prendemos são soltos", reclamou.
Mendes ressaltou que mais de 90% dos indicadores de segurança melhoraram no Estado e destacou os investimentos realizados. No sistema prisional, os aportes saltaram de R$ 1 milhão por ano antes de sua gestão para uma média de R$ 77 milhões anuais.
"Estamos aumentando os investimentos, como fizemos nesses últimos anos. O sistema prisional, antes de estarmos aqui, recebia um milhão por ano de investimento. Agora estamos na média de 77 milhões. Porque dominar o sistema prisional é não deixar as facções se organizarem lá dentro. Olha o esforço que temos que ter para mudar a realidade ali", disse, referindo-se aos flagrantes envolvendo advogados e agentes prisionais.
O governador também anunciou que criará um gabinete ligado diretamente a ele para cuidar de políticas voltadas às mulheres, atendendo pedido da primeira-dama. O auxílio para mulheres vítimas de violência foi ampliado de R$ 600 para R$ 1.200.
Questionado sobre o que mais fazer no combate à criminalidade, Mendes lançou um desafio: "Eu sempre digo isso. O que mais fazer? E agora, me dê sugestões. Porque criticar, alguns criticam, é um direito que o cidadão tem, mas o que mais fazer?".
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