Filhos do poder, luxo sem pudor
No STF, o talento parece hereditário — e a fortuna, também
No Brasil real, advogados experientes penam anos em fóruns, sustentam escritórios com honorários apertados e carregam décadas de contencioso nas costas. Já na órbita do poder, basta nascer no endereço certo.
O caso que envolve o filho do ministro Kássio Nunes Marques expõe, mais uma vez, o país da casta: um jovem de 25 anos, com trajetória ainda embrionária, orbitando cifras milionárias e clientes graúdos, enquanto profissionais brilhantes seguem condenados à vida espartana.
Relatório do Coaf citado pelo Estadão aponta que uma consultoria com faturamento declarado de apenas R$ 25,5 mil recebeu R$ 18 milhões em menos de um ano, com repasses do Banco Master e da JBS.
Na amostragem, apareceram transferências ao escritório de Kevin de Carvalho Marques. O contraste salta aos olhos e agride o senso mínimo de moralidade pública.
O problema não é a juventude. É o sobrenome. No Brasil da toga, filhos, esposas, amantes e agregados de poderosos parecem sempre tocar o topo sem enfrentar o chão duro que esmaga os anônimos.
O STF, que deveria ser vitrine de sobriedade institucional, virou também símbolo de um país onde influência vale mais que currículo. E o cidadão, de fora, assiste ao espetáculo da opulência bancada pela promiscuidade entre poder, prestígio e dinheiro.
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