Da condenação por corrupção ao compliance da Prefeitura de Cuiabá
Japonês da Federal assume função de integridade na prefeitura de Cuiabá e nomeação provoca comentários nos bastidores
Newton Ishii, o "Japonês da Federal" que se tornou símbolo visual da Operação Lava Jato ao conduzir investigados como Marcelo Odebrecht, Pedro Corrêa e João Vaccari Neto pelas câmeras do país, voltou aos holofotes — desta vez, do outro lado da cadeia de comando.
O policial aposentado foi nomeado pelo prefeito Abilio Brunini (PL) para atuar em Cuiabá numa função ligada a compliance e transparência na gestão municipal. A nomeação, porém, não veio desacompanhada de história.
Antes de virar celebridade involuntária das prisões em Curitiba, Ishii acumulou uma condenação criminal: foi punido por corrupção e descaminho ao facilitar a entrada de mercadorias contrabandeadas na fronteira entre Brasil e Paraguai, em Foz do Iguaçu. A sentença, mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), incluiu a perda do cargo na PF.
Na versão oficial da prefeitura, o processo foi transparente: o próprio Abilio teria questionado Ishii sobre eventuais impedimentos legais, e o nome diz que não há. Nos corredores, a resposta virou piada.
A questão que ronda os bastidores é mais ampla: como alguém com esse histórico retorna ao serviço público — ainda que municipal — sem que os filtros institucionais acendam um alerta? Em Cuiabá, o "Japonês da Federal" troca o papel de escolta dos investigados por uma cadeira dentro da máquina administrativa. A nomeação já rende ironia, comentário e muita conversa de corredor. Se a ideia do prefeito é ganhar clics e conseguir espaço na mídia, ele acertou, pois ganhou espaço até no UOL.
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