Russi aponta suspeita em contrato da saúde e pede investigação sobre ex-servidor

Denúncia de Russi coloca contrato da AGIR sob pressão em Mato Grosso

Por: tangara mil graus 2K
 Russi aponta suspeita em contrato da saúde e pede investigação sobre ex-servidor

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (PSB), denunciou, nesta quarta-feira (22.04), o que classificou como conflito de interesses envolvendo um ex-servidor público estadual e a Organização Social de Saúde AGIR, entidade que, após vencer o Chamamento Público nº 001/2025/SES-MT, assumiu a gestão do Hospital Regional de Cáceres, a 218 km de Cuiabá, por contrato estimado em R$ 669 milhões. O parlamentar afirmou que irá encaminhar representação ao Ministério Público e cobrou a abertura de CPI na Casa.

Conforme o relato de Russi, Dolce era servidor público estadual e teria participado do processo de contratação da organização social para, em seguida, ser admitido pela entidade em cargo de relevância estratégica.

“É muito estranho um servidor público do Estado participar do processo de contratação de uma empresa e, após a empresa vencer a licitação, ser contratado com um dos melhores salários da entidade”, afirmou o presidente da Assembleia.

O deputado fez uma analogia para sobre a situação. “É a mesma situação: um servidor que trabalha na Assembleia, em cargo de confiança, participa do setor de licitação da Casa; uma empresa vence uma licitação de elevado valor, cerca de 14 a 15 milhões por mês, ou aproximadamente 200 milhões por ano; e, no dia seguinte, esse servidor deixa o cargo público e passa a trabalhar para essa empresa. É uma situação, no mínimo, suspeita e que demanda investigação”, declarou o deputado.

Reclamações em Cáceres e alegações de desrespeito institucional

A crise não se restringe aos aspectos formais. Max Russi afirmou receber, de forma recorrente, reclamações da população de Cáceres acerca da qualidade dos serviços prestados pela AGIR no Hospital Regional, desde que a organização assumiu a gestão da unidade.

Segundo o parlamentar, um dos episódios mais recentes foi a ausência de retorno a uma tentativa de contato telefônico. “Ele não atende um parlamentar. Talvez esteja evitando esse tipo de questionamento”, declarou.

“Se já há esse tipo de tratamento em relação à Assembleia Legislativa, com a recusa em atender um parlamentar, entendo que cabe o encaminhamento da denúncia ao Ministério Público do Estado para que sejam adotadas as providências cabíveis. Além disso, a CPI desta Casa, com eventual participação do deputado Wilson, poderá realizar a devida apuração. À época da licitação, ele ainda era servidor do Estado, o que suscita dúvidas quanto à regularidade da situação”, afirmou o presidente da Assembleia.

Cobranças ao Executivo e próximos passos

Russi informou ter encaminhado a denúncia ao governador Otaviano Pivetta e ao secretário da Casa Civil, Mauro Carvalho e à equipe do Executivo estadual. “Espero que essa manifestação pública resulte em encaminhamentos e soluções concretas”, afirmou.

O deputado reiterou que dará continuidade ao acompanhamento do caso. “Continuarei recebendo as reclamações e demandas da população de Cáceres. Registro minha preocupação e indignação, e defendo a apuração aprofundada dos fatos”, concluiu Russi.

A reportagem tentou contato com a OS AGIR e com Wellyngton Alessandro Dolce para obtenção de posicionamento, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.