Max alerta para caos social com despejo de centenas de famílias em disputa por imóveis
residente da ALMT afirma que famílias compraram imóveis de boa-fé
presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi, afirmou nesta quarta-feira (15.04), em entrevista à imprensa, que o parlamento estadual já atua judicialmente para evitar o despejo de centenas de famílias dos residenciais Villa das Minas e Lavras do Sutil I e II, na região do Porto, em Cuiabá.
Segundo Russi, a Procuradoria da Assembleia ingressou como parte no processo para defender os moradores, que vivem há mais de duas décadas nos imóveis e agora enfrentam a possibilidade de retirada compulsória após decisão judicial. “Fui convidado para conhecer o caso e realmente me chocou. A Assembleia já entrou com medida na ação, por meio da nossa Procuradoria, e vamos estar ao lado dos moradores. Isso caminha para um caos social”, declarou.
De acordo com o presidente, entre 500 e 600 famílias podem ser afetadas. Ele destacou que muitos moradores vivem no local há 20, 25 ou até 30 anos, o que agrava o impacto social de uma eventual desocupação. Russi afirmou que já solicitou agenda com desembargador e pretende levar o caso à Câmara de Conciliação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, buscando uma solução negociada.
O impasse envolve imóveis construídos por uma empresa que posteriormente faliu. Segundo Russi, os moradores adquiriram as casas de forma legítima e de boa-fé, sem responsabilidade sobre a falência da construtora. Em 2024, a massa falida foi arrematada pela empresa Trunk Gestão Empresarial por cerca de R$ 16 milhões, que passou a reivindicar a posse dos imóveis.
Russi criticou os valores cobrados atualmente para regularização das moradias, apontando desproporção entre o valor de aquisição e o cobrado das famílias. “Não é justo. São pessoas humildes, que não têm condições de pagar valores elevados após tantos anos morando no local”, afirmou.
O presidente da ALMT também cobrou atuação mais efetiva de órgãos como o PROCON, o Ministério Público e a Defensoria Pública, defendendo que as instituições atuem na mediação do conflito para evitar um cenário de despejo em massa.
Ele alertou para o risco de cumprimento imediato da ordem judicial, com retirada forçada das famílias. “Uma decisão pode mandar entrar dentro das casas e retirar mães com filhos, idosos e pessoas com deficiência. Não podemos admitir isso”, disse.
Apesar do cenário, Russi afirmou que os moradores não se recusam a pagar pelos imóveis, mas defendem a negociação de valores considerados justos. “Eles querem pagar, mas dentro da realidade. Não dá para impor uma cobrança que inviabiliza a permanência dessas famílias”, pontuou.
O parlamentar concluiu afirmando confiar em um desfecho favorável. “A causa deles é justa. E o que é justo, no final, prevalece”, declarou.
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