POLÍCIA CIVIL mira laboratório por "fabricar" exames em MT; esquema mata paciente
Empresa é suspeita de usar CPFs para criar relatórios a prefeitura
A Polícia Civil investiga um laboratório em Tangará da Serra (253 km de Cuiabá) suspeito de emitir exames laboratoriais falsos ou adulterados, inclusive em nome de pessoas que nunca estiveram no local.
O caso veio à tona após denúncias de pacientes e até o registro de um boletim de ocorrência que relata a morte de uma pessoa cujos exames não corresponderiam ao estado real de saúde. A PJC apura o caso.
Nesta quarta-feira (11), policiais cumpriram mandado de busca e apreensão no laboratório para recolher
computadores, celulares e documentos que possam ajudar a esclarecer as suspeitas.
De acordo com o delegado Ivan Albuquerque, responsável pelas investigações, a ação teve como objetivo reunir provas para o inquérito policial que apura possíveis fraudes em exames realizados pela clínica.
“Então, o objetivo dessa ação de hoje foi dar cumprimento a um mandado de busca em Tangará da Serra pra gente apreender esses computadores, celulares e juntar provas para comprovar esses crimes que são apurados no inquérito policial”, afirmou em entrevista coletiva.
Segundo ele, a Prefeitura na gestão de Vander Masson (União) também foi oficiada para apresentar documentos relacionados aos pagamentos feitos pelos exames. “A Prefeitura já foi oficiada também para apresentar pagamento desses exames realizados por essa clínica e tudo está sendo apurado no inquérito policial”, disse.
Ainda conforme o delegado, há denúncias de que exames podem ter sido falsificados ou até mesmo emitidos em nome de pessoas que nunca estiveram no laboratório.
“É de exames falsos, fraudados e de exames de pessoas que sequer compareceram a essa clínica e realizaram esses exames, foram pagos esses exames pela Prefeitura e isso está sendo apurado, crime de falsidade documental e de falsidade ideológica”, declarou.
Apesar das denúncias circularem nas redes sociais, a polícia pede que as possíveis vítimas procurem a delegacia para formalizar os relatos. “Olha, muitas pessoas estão escrevendo em sites e não compareceram à delegacia ainda.
Eu não tenho o número exato.
Peço para que essas pessoas parem de ficar escrevendo no Instagram, em rede social e compareçam à delegacia para prestar depoimento”, pediu o delegado.
“Os computadores vão passar para a perícia, temos autorização judicial para isso, os celulares também aqui dentro foram apreendidos, vão passar para a perícia e é muito importante que essas pessoas compareçam para a gente enriquecer esse inquérito policial de provas”, afirmou.
Ivan Albuquerque também relatou que tentou contato com o proprietário do laboratório antes da operação.
“Semana passada estive aqui com a Vigilância Sanitária e entrei em contato com o proprietário Luciano.
Inicialmente ele falou que estava em Cuiabá, depois falou que estava em Sorriso”, disse.
Segundo o delegado, o empresário não demonstrou interesse em colaborar com as investigações. “Ele falou que não havia necessidade de comparecer aqui e que não enviaria nenhum preposto para abrir o laboratório, porque segundo ele o laboratório já tinha passado por inspeção. Então, na minha opinião, ele não quis colaborar com a investigação, motivo pelo qual eu ajuizei a busca e apreensão que foi deferida pelo Poder Judiciário”, explicou.
Durante a coletiva, o delegado confirmou que existe um boletim de ocorrência relatando a morte de uma pessoa que pode ter sido prejudicada por exames supostamente adulterados. “Existe sim um boletim de ocorrência de uma vítima que veio a óbito porque os exames não correspondiam com a realidade a qual ela se encontrava no hospital”, afirmou.
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). “Esse fato está sendo apurado”, disse.
Ainda conforme o delegado, há outras possíveis vítimas. “Sim, existem outras também, mas uma chegou a óbito. Esse caso está sendo apurado. Existe a informação que a Prefeitura continuou efetuando esse pagamento.
Eu oficiei a Prefeitura para ela me apresentar esses dados de pagamento que eu apurava”, afirmou.
Segundo o delegado, os documentos podem contradizer a versão de que o município já investigava o caso. “Essa informação existe, sim… então essa informação de que a Prefeitura estava investigando não bate com o que realmente tem documentalmente nesse processo.
A princípio, sim. Isso será apurado”, concluiu.
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