Operação aponta corrupção em massa no STJ; ministros preveem mais demissões

Venda de decisões no STJ: PF identifica suspeitos em massa e Corte prevê mais exonerações

Por: jean michel sanches piccoli 10.5K
 Operação aponta corrupção em massa no STJ; ministros preveem mais demissões

A Operação Sisamnes acendeu um alerta sem precedentes no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo reportagem da Revista Piauí divulgada nessa segunda-feira (24.11), investigados por envolvimento no esquema de venda de decisões judiciais já foram identificados em um terço dos gabinetes da Corte.

 
A revelação escancarou a dimensão da crise interna e desencadeou uma onda de demissões silenciosas. Ministros, sob pressão, passaram a afastar assessores investigados.

A Piauí ouviu cinco ministros do STJ, que relataram preocupação crescente com a contaminação da Corte por casos de corrupção. Um deles, Ricardo Cueva, disse esperar que a investigação avance “com máxima eficiência e brevidade para punir os culpados e impedir que o problema se repita”.

A revista também revelou que o ministro Og Fernandes, que demitiu seu chefe de gabinete, Rodrigo Falcão, sob investigação, afirmou: “Já era tempo de uma conclusão indicando quem tem responsabilidade e o que precisa ser feito. Esse tempo deixa o Tribunal em posição extremamente desconfortável”.

O presidente do STJ, Herman Benjamin, reconheceu que novas exonerações não estão descartadas. Nos bastidores, o clima é de perplexidade, ansiedade e irritação.

Deflagrada pela Polícia Federal há um ano, a Operação Sisamnes também alcança outros tribunais, como o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Cristiano Zanin — relator da investigação — confirmou no último dia 13 que uma autoridade com foro privilegiado é alvo do inquérito. Ele não citou nomes, mas reconheceu que a gravidade do caso exige análise direta do STF.

Um relatório parcial enviado pela Polícia Federal no mês passado aponta indícios de ligação entre ministros do STJ e investigados. Segundo o documento, o esquema seria articulado pelo lobista Andreson Gonçalves e pelo advogado Roberto Zampieri (morto em dezembro de 2023), que negociariam a antecipação de decisões por meio de assessores dos ministros Og Fernandes, Isabel Gallotti e Nancy Andrighi.

Andreson foi preso no último dia 12, em Primavera do Leste (a 231 km de Cuiabá), por determinação do STF. A prisão ocorreu após laudo médico apontar que ele já estava recuperado e não havia mais justificativa para manter a prisão domiciliar — benefício obtido em julho de 2025, depois de perder cerca de 30 quilos desde sua primeira detenção, em novembro de 2024.