Delegado afirma que áudios vazados foram editados para atacar Polícia Civil

Conteúdos já estão sob análise da Corregedoria e do Ministério Público

Por: tangara mil graus 1.5K
 Delegado afirma que áudios vazados foram editados para atacar Polícia Civil

O delegado Bruno França, titular da Delegacia Municipal de Sorriso, a 398 km de Cuiabá, divulgou nota oficial para rebater o vazamento de áudios e prints atribuídos a policiais civis da unidade, que passaram a circular nas redes sociais. Segundo ele, o material tem caráter “difamatório e calunioso” e não reflete a atuação da corporação.

O conteúdo viralizou na última sexta-feira (06.02) e reúne trechos de supostas conversas internas atribuídas a policiais civis. Nas publicações, são levantadas acusações como a simulação de confrontos policiais, agressões contra investigados, monitoramento clandestino de aparelhos celulares e condutas de cunho sexual envolvendo pessoas custodiadas.

Em nota, o delegado sustenta que as interpretações difundidas decorrem de materiais editados ou retirados de diálogos informais, sem relação com a prática funcional. Conforme o posicionamento, a divulgação teria como objetivo deslegitimar o trabalho da Polícia Civil de Mato Grosso, especialmente nas ações de enfrentamento ao crime organizado desenvolvidas no município.

Bruno França afirmou ainda que os arquivos teriam sido obtidos a partir de um aparelho celular furtado da divisão de combate a homicídios da delegacia, em outubro de 2025. Desde então, segundo ele, surgiram publicações recorrentes com o mesmo teor, sempre em momentos considerados sensíveis para a instituição.

No documento, o delegado nega a existência de qualquer prática ilegal por parte da equipe da unidade e declara que parte do material original, incluindo prints não adulterados, já passou por perícia técnica. “As alegações são inexistentes e absurdas”, afirmou no texto.

A nota também ressalta que, ao longo de nove anos de existência, a divisão de combate a homicídios da Delegacia de Sorriso jamais se envolveu em confrontos policiais. França acrescenta que denúncias anteriores relacionadas a maus-tratos contra custodiados foram apuradas pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) e arquivadas por se mostrarem caluniosas.

Ainda conforme o delegado, alguns dos responsáveis por essas acusações foram indiciados ou seguem sendo investigados pelo crime de denunciação caluniosa. Para ele, a divulgação ou o compartilhamento do material atribuído aos policiais acaba sendo utilizada como instrumento de ataque à honra funcional e pessoal dos servidores da unidade.

O caso foi comunicado à Corregedoria-Geral da Polícia Judiciária Civil após denúncia encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) ao corregedor-geral Jesset Arilson Munhoz de Lima.

Segundo Bruno França, todo o material original foi entregue de forma voluntária tanto à Corregedoria quanto ao Ministério Público. A delegacia informou ainda que permanece à disposição para prestar esclarecimentos sobre quaisquer novos conteúdos divulgados.

 

Nota na íntegra
“Como se sabe, a divisão de combate a homicídios da Delegacia Municipal de Sorriso/MT teve um aparelho celular furtado no mês de outubro de 2025. Iniciaram-se então diversas publicações com intuito difamatório e calunioso que têm a finalidade de deslegitimar o trabalho realizado pela Polícia Judiciária Civil no combate ao crime organizado.

Na ocasião, foi esclarecido se tratar de material não verídico. Ocorre que, oportunamente após a prisão de um investigador de polícia, as publicações começaram a se repetir de forma exponencial.

Tais publicações são alicerçadas em materiais dolosamente editados ou retirados de contextos jocosos, a fim de induzir à falsa conclusão de que existem comportamentos ilícitos por parte dos policiais desta unidade, especificamente no tratamento a presos e mortes por intervenção de agente do Estado. As alegações supracitadas são inexistentes e absurdas, conforme demonstrado por alguns prints originais – e já periciados – enviados anexos.

Ressalta-se que em nove anos de existência, a divisão de combate a homicídios da delegacia de Sorriso/MT jamais se envolveu em confronto policial algum. Absolutamente nenhum!

Ademais, todos os falsos relatos de maus tratos à custodiados – sempre realizados por membros de uma facção criminosa específica – foram investigados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso no exercício do controle externo da atividade policial e arquivados por se mostrarem caluniosos.

Enfatiza-se, inclusive, que seus noticiantes foram indiciados, ou são investigados, pelo crime de denunciação caluniosa. A publicação ou o repasse de tais materiais se apresenta como ferramenta de promoção e proteção do crime organizado e ataca, de forma ilegal e injusta, a honra objetiva e subjetiva dos policiais desta unidade.

Informa-se que o material original já foi, de forma voluntária, integralmente disponibilizado à Corregedoria Geral da Polícia Civil bem como ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso para que não reste dúvida alguma a respeito da legalidade da atuação dos policiais. Desde já esta Delegacia de Polícia se coloca à disposição para esclarecer qualquer publicação ou material veiculado, no intuito de demonstrar sua falsidade formal ou material.

Sorriso/MT, 08 de fevereiro de 2026.

BRUNO FRANÇA FERREIRA

Delegado de Polícia Civil”.