Agentes do Ibama entram em confronto armado com garimpeiros ilegais em Terra Indígena de Mato Grosso considerada a mais devastada do Brasil.

Os garimpeiros conseguiram escapar para a mata e os agentes suspeitam que o grupo tenha vínculos com o Comando Vermelho. Durante a ação, foram apreendidos um fuzil, carregadores, diversas munições, um celular e um kit de internet Starlink.

Por: jean michel sanches piccoli 44K
 Agentes do Ibama entram em confronto armado com garimpeiros ilegais em Terra Indígena de Mato Grosso considerada a mais devastada do Brasil.

Garimpeiros ligados ao Comando Vermelho são procurados após confronto com agentes do Ibama em MT

Cinco garimpeiros suspeitos de integrar o Comando Vermelho estão sendo procurados neste domingo (28) depois de trocarem tiros de fuzil com agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O confronto ocorreu durante operação na Terra Indígena Sararé, localizada em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá. O território é considerado um dos mais degradados pela mineração ilegal no Brasil.

Durante a troca de tiros, registrada na última quinta-feira (25), o grupo fugiu para a mata e abandonou no local um fuzil, carregador, munições, um celular e um kit de internet Starlink.

Agentes do Ibama entram em confronto armado com garimpeiros ilegais em Terra Indígena de Mato Grosso considerada a mais devastada do Brasil.
Garimpo ilegal avança na Terra Indígena Sararé no Mato Grosso. — Foto: Fábio Bispo/Greenpeace

Ao se aproximarem da aldeia central da etnia Nambikwara, os agentes foram recebidos a tiros de fuzil disparados pelos cinco suspeitos. O grupo estaria no local para proteger os equipamentos usados na extração ilegal de minérios dentro do território. Houve revide por parte das equipes, e os garimpeiros fugiram para a mata, onde continuam sendo procurados.

Agentes do Ibama entram em confronto armado com garimpeiros ilegais em Terra Indígena de Mato Grosso considerada a mais devastada do Brasil.
Força-tarefa apreende fuzil, munições e kit de internet starlink — Foto: Ibama

No dia seguinte ao confronto, os agentes retornaram à área e localizaram armas e equipamentos que haviam sido enterrados pelos suspeitos na tentativa de ocultar o crime.

Segundo os fiscais, o ponto é conhecido como “Garimpo do 14”. Há cerca de um ano, a mesma região já havia sido palco de outro embate entre forças de segurança e criminosos, que resultou em cinco mortes.

A ação atual conta com uma força-tarefa formada por agentes do Grupo Especial de Fiscalização (GEF), do Ibama, e do Grupo Tático 3 (GT3), da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil de Goiás, que permanecem atuando no local.

Agentes do Ibama entram em confronto armado com garimpeiros ilegais em Terra Indígena de Mato Grosso considerada a mais devastada do Brasil.
Força-tarefa combate garimpeiros ilegais em Sararé, terra indígena de MT mais devastada do país

Terra Indígena Sararé

Com 67 mil hectares e habitada por comunidades da etnia Nambikwara, a Terra Indígena Sararé é apontada como uma das áreas mais devastadas pelo garimpo ilegal no país. Localizada em uma região de fronteira sensível, o território sofre também com a presença de crimes relacionados ao tráfico de drogas e armas, segundo os agentes de fiscalização.

A estimativa é que aproximadamente 2 mil hectares já tenham sido destruídos pela exploração clandestina de ouro, incentivada por organizações criminosas armadas que invadiram e se estabeleceram no local. As autoridades acreditam que cerca de 2 mil garimpeiros e integrantes de facções atuem dentro da terra indígena, aumentando os riscos de confrontos armados.

Nos quase dois meses da Operação Xapiri, já foram destruídas mais de 160 escavadeiras, além de centenas de motores e outras estruturas usadas para dar suporte logístico às atividades ilegais.

Desde 2023, o número de maquinários neutralizados chega a mais de 460 escavadeiras. Esse tipo de equipamento é responsável por causar impactos ambientais severos, incluindo a devastação de milhares de hectares de áreas de preservação permanente, bem como a destruição de rios e córregos que cortam o território.