Pivetta chama demora do Ibama de “crime” e diz que juros altos travam investimentos em ferrovias

Governador afirmou que Mato Grosso espera há três anos por licença federal para obras na Serra de São Vicente

Por: tangara mil graus 3K
 Pivetta chama demora do Ibama de “crime” e diz que juros altos travam investimentos em ferrovias

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), classificou, neste sábado (20.06), como um “crime” e um “desaforo” a demora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na emissão de licenças ambientais para obras de infraestrutura no Estado. As declarações foram dadas em Dom Aquino, durante a entrega da primeira fase da Malha Norte e do novo terminal ferroviário.

 
Segundo Pivetta, a primeira ferrovia estadual do Brasil só saiu do papel porque o licenciamento ambiental foi conduzido pelo Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT).

“Nós fizemos a primeira ferrovia estadual, essa é a primeira ferrovia estadual do Brasil, e só saiu porque é estadual, só saiu porque a Sema licenciou. Se fosse o Ibama, ela estaria parada”, afirmou.

O governador citou a espera de três anos por uma licença ambiental para obras na Serra de São Vicente e classificou a demora como injustificável.

“Estamos há três anos esperando a licença do Ibama para a Serra de São Vicente. É um crime o que o governo federal faz contra Mato Grosso. É impossível aguentar, é um desaforo”, criticou.

Pivetta também atribuiu aos juros elevados outro entrave para a expansão da infraestrutura ferroviária. Segundo ele, investimentos de longo prazo se tornam inviáveis em um cenário de taxas elevadas.

“Com 15% ao ano, é impossível qualquer investimento de longo prazo ter viabilidade”, disse.

De acordo com o governador em exercício, o Estado conseguiu recuperar sua capacidade de investimento após promover um ajuste fiscal em 2019, mantendo as contas equilibradas e reduzindo o custo do endividamento.

“Nós organizamos o Estado em 2019, fizemos o saneamento fiscal e mantivemos capacidade de investimento sem pagar muito juros. É isso que o Brasil tem que fazer”, afirmou.

 

Apesar das dificuldades, Pivetta reforçou que o governo estadual continuará cobrando o cumprimento do contrato firmado com a concessionária responsável pela ferrovia, que prevê a chegada dos trilhos a Cuiabá e o avanço em direção a Lucas do Rio Verde e Nova Mutum.

“Nós temos um contrato e vamos cobrar. O mercado é bom, nós precisamos de ferrovias”, declarou.

Ao defender a ampliação da malha ferroviária, o governador destacou o crescimento da produção agropecuária mato-grossense e afirmou que o Estado precisa ampliar sua infraestrutura para acompanhar o ritmo de expansão.

“Nós colocamos nos últimos sete anos o equivalente ao Estado do Paraná em produção. A ferrovia está chegando e tem espaço para subir ainda mais”, concluiu.