Wellington pressiona Pivetta sobre garimpo ilegal e acusa Governo de “panelinha”
Senador cobrou explicações sobre investigação que envolve Mauro Mendes
O senador Wellington Fagundes (PL) aproveitou o debate sobre garimpo ilegal para cobrar do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) uma posição sobre a investigação que relaciona o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) a uma mineradora abastecida com mercúrio ilegal.
“Você, como governador, qual posição já tomou até agora nessa questão?”, questionou Wellington durante o debate promovido na manhã desta terça-feira (18.08) pela TV Centro América e pelo portal Primeira Página.
Pivetta reagiu, acusando o adversário de apresentar informações falsas. “Costumeiramente, o senhor falta com a verdade, e agora foi mais uma vez”, rebateu o governador.
O confronto começou após Pivetta perguntar quais medidas Wellington adotaria para estimular a mineração legal e aproveitar o potencial mineral de Mato Grosso.
“O território de Mato Grosso é imenso. Temos muitas reservas federais e estaduais, parques e um subsolo muito rico em minerais. O que o senhor faria, se fosse governador, para estimular a boa mineração?”, perguntou Pivetta.
Wellington iniciou a resposta prometendo ampliar a exploração mineral regularizada, mas direcionou parte do tempo às suspeitas envolvendo Mauro, antecessor e aliado político de Pivetta.
“Não vou aceitar ninguém do meu Governo agindo ilegalmente. O seu ex-governador está sendo acusado, e agora o caso foi para o STJ, envolvendo garimpo ilegal, crime ambiental e familiares”, afirmou Wellington.
O caso citado pelo senador é um desdobramento da Operação Hermes, conduzida pela Polícia Federal. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Mineração Aricá e a KIN Mineração teriam adquirido pelo menos 314 quilos de mercúrio entre 2022 e 2023 sem autorização do Ibama.
O metal teria sido utilizado na extração de ouro. A investigação reúne conversas interceptadas, informações societárias, vínculos familiares e o depoimento de um funcionário que relatou visitas de Mauro ao empreendimento.
Em uma das conversas interceptadas, investigados teriam associado a mineradora ao ex-governador. O MPF considerou que os elementos justificam aprofundar a apuração sobre uma possível relação de Mauro com a empresa.
Durante o debate, Wellington insistiu que Pivetta deveria se manifestar sobre o caso. “Você não quer admitir que existem investigações feitas pela Polícia Federal e encaminhadas pela Justiça?”, cobrou o senador.
Pivetta não respondeu diretamente às suspeitas envolvendo Mauro. O governador concentrou a réplica nos dados da Segurança Pública e nas ações realizadas pelo Estado contra a mineração clandestina.
Wellington havia afirmado que Mato Grosso enfrenta déficit de 5 mil policiais, o que dificultaria o combate ao garimpo ilegal e ao crime organizado. Pivetta contestou o número.
“Nós temos hoje 7.980 policiais militares. Isso representa um policial para cada 500 mato-grossenses. Portanto, estamos de acordo com a média nacional”, declarou Pivetta.
O governador também citou a existência de 3,3 mil integrantes da Polícia Civil e 2,9 mil policiais penais. “Temos hoje 15 mil agentes armados nas Forças de Segurança do Estado”, afirmou.
Sobre a mineração, Pivetta disse que o Governo criou uma estrutura na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico para identificar as riquezas minerais e estimular a regularização do setor.
“Estamos mapeando e fazendo um inventário do Estado para que todo minerador seja formal. Também estamos fiscalizando, por meio da Sema, toda atividade ilícita e agindo na forma da lei”, declarou.
Pivetta afirmou ainda que a intenção do Governo é impedir que a exploração mineral beneficie apenas grupos particulares. “Queremos transformar a mineração de Mato Grosso em patrimônio da sociedade, e não de meia dúzia”, afirmou o governador.
Na tréplica, Wellington utilizou a declaração de Pivetta para voltar à investigação contra Mauro e acusar o Governo de proteger aliados. “É exatamente essa meia dúzia, essa panelinha do seu Governo”, acusou Wellington.
O senador também insistiu que faltam policiais nas ruas e criticou a postura de Pivetta durante entrevistas recentes. “Não é possível que um Governo não queira admitir que faltam policiais”, declarou Wellington.
Na sequência, o candidato do PL acusou Pivetta de ter tratado de maneira diferente uma jornalista e um entrevistador homem ao ser questionado sobre o efetivo policial.
“Ele maltratou uma jornalista porque ela apresentou os dados de 5 mil policiais que estariam faltando nas ruas. Quando enfrentou um jornalista homem, tremeu nas pernas”, acusou Wellington.
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