Caso Oi: o pesadelo de Mauro Mendes está longe do fim
Flávio Dino nega acesso aos autos, mantém restrições e sinaliza que a investigação sobre R$ 308 milhões ainda tem capítulos a revelar
Mauro Mendes deixou o Palácio Paiaguás, mas não conseguiu deixar para trás os problemas que chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF). Seu nome permanece entre os investigados da Operação Heritage, que apura suspeitas de irregularidades no acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a Oi. E o ministro Flávio Dino acaba de demonstrar que o assunto está longe de ser encerrado.
Dino negou à defesa do ex-governador acesso aos autos, diante da existência de diligências ainda em andamento. Um detalhe particularmente incômodo para quem está trocando o comando do Executivo por uma cadeira no Senado: a Polícia Federal não trabalha sob o calendário das conveniências eleitorais.
Mas há um trecho ainda mais espinhoso. Na decisão, Dino apontou elementos que indicariam, em tese, a participação de Mauro Mendes e Fábio Garcia em núcleos relevantes da estrutura investigada, fundamento utilizado para manter a proibição de contato entre eles.
A questão agora não é apenas o que já veio à tona, mas o que ainda poderá surgir. Afinal, quais caminhos percorreram os R$ 308 milhões? E até onde as próximas diligências poderão alcançar?
A investigação poderá resultar em denúncia, caso a Procuradoria-Geral da República identifique elementos suficientes, ou em arquivamento, se as suspeitas não forem confirmadas. Até aqui, não há condenação nem conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal de Mauro Mendes.
O problema para o ex-governador é que uma vitória eleitoral não tem o poder de apagar uma investigação criminal. As urnas conferem mandato, não atestado de inocência.
Mauro pode até ter virado a página política. Mas, no Supremo, quem decide quando o capítulo termina é a Justiça.
E Flávio Dino, ao que tudo indica, ainda não chegou à última página.
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